Hipnose Stricto Sensu ®

Curso Livre Presencial

Antonio Carreiro, Dr. Sc.

 

Ideias antigas e conceitos superados sobre hipnose são frequentemente divulgados e, só porque são ditos e repetidos por muita gente, não significa que são válidos. Considerando o atual cenário teórico sobre fenômenos mentais, o hipnotismo não pode ser gerido ou interpretado com base em suposições ultrapassadas. Neste sentido o olhar para hipnose aponta novos caminhos.

O Curso Livre Presencial em Hipnose Stricto Sensu®[1] apresenta um cenário novo no campo da psique humana, seus conflitos e sua relação e conexões com outras áreas do saber. É o estudo da hipnose com base na Psicanálise, Filosofia e Ciência, focalizando aspectos essenciais que fundamentam a hipnoterapia (Carreiro, 2012).

O material didático ensina como hipnotizar, ser hipnotizado e aplicar protocolos com fins de melhorias no equilíbrio físico, psíquico, social e emocional. No âmbito pessoal aponta como fazer uso eficiente de auto hipnose para promoção da autoestima e autogerenciamento. No âmbito profissional visa formar terapeutas capazes de identificar e aplicar técnicas e estratégias mais adequada ao contexto de cada paciente.

A percepção dos aspectos clínicos e terapêuticos da hipnose é conquistada através de estudos que supere tendências de copiar o modelo visto pela primeira vez ou repetir práticas populares, evitar uso de técnicas de convencimento ou aconselhamento que não possibilita gerar pulsão inconsciente para promover melhorias.

O estudo proposto na programação do curso explora ideias e teorias necessárias e cooperativas para facilitar o aprendizado, trabalha conceitos fundamentados na teoria freudiana e pós-freudiana, diferencia a hipnose lato de stricto sensu e a dinâmica do sistema mental consciente e inconsciente.

O interesse maior é reconhecer agentes estruturantes do processo de adoecimento e cura psicossomática, identificar o significado de trauma psíquico, repressão, pulsão e sintoma, reconhecer a influência das matrizes comportamentais, metáforas, arquétipos e o universo de crenças e valores que atuam na produção de mudanças e transformações.

Durante o curso são verificados o transe e a comunicação através do sistema sígnico linguístico simbólico e semiótico, identificando suas características e diferentes escalas de suscetibilidade hipnótica. Também apresenta o entendimento sobre a relação do N,N-Dimetiltriptamina (DMT) – hipnose e transe, um assunto atual que tem fortemente mobilizado o interesse da comunidade internacional.

Conteúdos programáticos previstos são detalhados ao longo do curso pensando em transformar o aluno não apenas em um hipnotista hábil, mas alguém com nível de conhecimento suficiente para despertar o desejo de prosseguir estudando numa perspectiva interdisciplinar; a intenção é formar pesquisadores capazes de evoluírem na busca de suas próprias respostas.

O objetivo deste curso é aclarar o funcionamento da hipnose em amplo espectro, a metodologia do ensino é ativa, expositiva e dialógica permitindo a participação prática do professor e dos alunos. Qualquer pessoa, independentemente da área de formação, disposta a estudar será bem-vinda.

A hipnose não deve ser somente uma disciplina na qual se teorize, é preciso sentir seus efeitos para ser confiável, por isso o curso apresenta sessões práticas onde a teoria é posta à prova e, a produção do transe rápido e profundo acontece, as características previamente anunciadas são verificadas em experiências concretas.

O curso oportuniza o aluno conquistar confiança para reproduzir o aprendizado, observar a teoria positivada e adquirir habilidade para hipnotizar ou ser hipnotizado e verificar efeitos terapêuticos. Aborda a corrente verbal iniciada por Ambroise August Liébault diferenciando e priorizando a corrente não verbal, representada pela escola de Jean-Martin Charcot (Carreiro, 1999).

A sustentação do estudo através de correntes opostas, verbal e não-verbal, se justifica por ser o hipnotismo permeado pela emoção e pela intuição, duas variáveis que vão além da razão. Apresenta teoria abrangente no sentido de informar e refletir sobre o tema que, embora antigo, ainda é bastante desconhecido ou equivocado (Carreiro, 1997).

O transe hipnótico é patrimônio histórico da filosofia e da medicina oriental e ocidental, sua prática atravessou séculos e chega à atualidade como objeto de grande interesse. É parte da natureza humana, um recurso intrínseco que todos têm e podem colocar a serviço do bem-estar físico e mental, permite a cada sujeito tornar-se o observador de si mesmo, preservar e restaurar a saúde e melhor interagir no contexto social.

O desconhecimento de quem observa um transe é geralmente substituído por um temor supersticioso relacionado ao mito, magia ou religião e, na maioria das vezes, revela preconceito através de críticas ingênuas, irresponsáveis ou perversas, típico de quem sabendo pouco fala como se fosse profundo conhecedor (Carreiro, 1997).

A hipnose popular é a parte do hipnotismo recreativo ou de palco, está no nível da representação e tem proposta de entretenimento. Geralmente inicia com um convite; você quer fazer hipnose? Sendo afirmativo o ator nato é despertado e se compromete em representar um papel seguindo instruções que recebe do hipnotizador.[2]

Também não ocorre transe na hipnose popular, o que acontece é apenas a execução de um compromisso; a pessoa se dispõe cumprir o que foi combinado, fingir dormir, esquecer nome, colar dedos, mãos, dizer ver algo irreal ou não ver o real, etc. Isso é semelhante a brincadeira infantil conhecida como “boca de forno”. Quem é iniciado por esse viés do hipnotismo está muito distante de propósitos clínicos e terapêuticos (Carreiro, 1997).

A prática da Hipnose stricto sensu é claramente diferente da hipnose popular, entre o hipnotista e o hipnotizado nada é combinado, nada de conversa prévia, “pre-talk”, nada de estabelecer “rapport”, sugestões ou convencimento verbal, apenas o transe é provocado e produzido com maior ou menor intensidade dependendo da propensão natural cada pessoa. A comunicação ocorre exclusivamente através de linguagem semiótica.

Semiótica (do grego semeiotiké) significa interpretar o simbolismo expresso nas representações e no uso dos sinais, é a linguagem não verbal que faz o hipnotizado parecer adivinhar o que pensa o hipnotista ou outras pessoas em sua volta. Semiótica é disciplina de estudo em curso acadêmico envolvendo comunicação social, mas tem gente que possuem este dom de forma acentuado mesmo estando consciente e, isso pode ser a explicação atribuída a grande parte das intuições que tanto se ouve falar (Carreiro, 2014).

No decorrer do transe a semiótica é muito ampliada no hipnotizado que passa perceber sentido na variação ou tom da voz do hipnotista, na postura corporal e tensões musculares localizadas, posição do olhar, diferenças na coloração da pele e outros sinais que são captados pela mente inconsciente como forma de comunicação. O hipnotista entendendo essa linguagem interage sem verbalizar e, assim, é possível hipnotizar em qualquer parte do mundo sem a barreira do idioma (Carreiro, 2014).

O transe é sintomático e suas características fisiológicas não podem ser simuladas; o hipnotizado fica rígido, resfria a temperatura periférica, superaquece o tórax e o rosto, apresenta midríase e visível dilatação da veia jugular, ocorre hisparmos em grupos muscular entre outras observações. Esses sintomas servem para o hipnoterapeuta medir o nível de aprofundamento, além de permitir a condução do processo com segurança.

Durante o transe a mente inconsciente externa suas repressões através de linguagem altamente simbólica; o hipnotizado pode gritar e se contorcer entre crise de choro e riso que se alterna e é nesse momento que as pulsões “catarses” se revelam liberando traumas reprimidos e, por consequência, produzindo efeitos terapêuticos.

Entender o que está ocorrendo durante o transe envolve conteúdo teórico relativamente complexo e quem não conhece pode confundir como algo relacionado ao misterioso ou um show espetaculoso. O desconhecimento de quem observa é caminho aberto para equívocos interpretativos, críticas e opiniões infundadas.

As pessoas buscam conhecer a hipnose por curiosidade ou como alternativa para alívio de um sofrimento. Geralmente antes consultaram um médico e não obtiveram um diagnóstico, outras soluções também foram buscadas como amigos para conversar, viagens, filosofias ou religiões que pareciam ser a melhor solução. Esgotadas as tentativas, sem resultado positivo, a hipnose é lembrada como último recurso.

Por ser o último recurso de alguém em busca de ajuda a aplicação da hipnose não pode ser improvisada, o hipnotista tem a responsabilidade de ser competente no atendimento clínico para avaliar, medir e identificar fragilidades e potencialidades que tem o paciente. Na prática terapêutica deve saber traçar e seguir um plano de ação, prever possibilidades e implementar de forma adequada (Carreiro. 2014).

Na prática só se recorre a hipnoterapia no momento crítico; neste caso conta contra alguns fatores como a dúvida, a insegurança e a incerteza no resultado. Isso deve ser contornado pela habilidade e domínio do hipnotista para, de forma simples, clara e direta, explicar suas intenções e propósitos quanto a interversão que pretende fazer e o resultado que espera.

Tratamentos com hipnose tem o aval de pesquisas cientificas, a OMS- Organização Mundial da Saúde afirma que a grande maioria das doenças tem origem psicossomática, isto é, começam a partir de desequilíbrios emocionais que vão afetar o corpo físico; a tristeza faz adoecer, a fé e a determinação predispõem à recuperação.  

O meio científico reconhece que as emoções em desordem ou desequilíbrio contribuem para o adoecimento e começa a ser aceito que dimensões psicológicas provocam doenças no corpo; não há dúvidas que a raiva, irritação constante, estresse habitual, mágoa, rancor, inveja e muitas outras emoções negativas faz adoecer o corpo (Carreiro. 1999).

Publicações especializadas apontam a hipnose como meio para superações de problemas relacionados a disfunções emocionais; superar dor física ou moral, vencer o estresse, elevar autoestima, melhorar relacionamento afetivo e social, ampliar a memória e a concentração, enfrentar sentimentos e pensamentos autodestruidores como cansaço, tensão e insônia.

Pode a hipnose contribuir para superar quadros neuróticos eliminando sintomas que são manifestações dolorosas das cenas reprimidas, como hábitos indesejáveis e estado emocional adverso; depressão, pânico, ansiedade, insegurança, timidez, fobia, crise asmática, distúrbios gastrointestinal, falsa-cegueira e falsa paralisia motora (Carreiro, 2014).

O uso adequado da hipnose desenvolve o potencial que permite a escolha de como se pretende viver. Mas, são poucos os que sabem fazer uso deste poder, sobretudo quando não sabem por onde começar, nem como fazer. Por isso, tanto o terapeuta como o paciente, devem se inteirar da sua potencialidade como geradora de transformações e só depois pôr em prática.

É bom lembrar que em algumas áreas o conhecimento não se adquiri sem observação e participação direta; ninguém aprende a dirigir um carro por ouvir dizer ou ler como fazer, é dirigindo que se aprende. Assim é Hipnose Stricto Sensu, seu aprendizado não se ajusta a curso on-line ou simples leitura, é imperioso vivenciar e experimentar.

A competência e habilidade do futuro hipnotista depende de sua participação em curso presencial com conhecimento teórico aprimorado e práticas bem conduzidas, requisitos indispensáveis para que não seja apenas alguém a repetir equívocos que muitos insistem em continuar repetindo.

“Importante não é ver o que ninguém nunca viu, mas sim, pensar o que ninguém nunca pensou sobre algo que todo mundo vê” (Schopenhuer).

NOTAS:

[1]  A expressão latina stricto sensu qualifica um grau mais elevado de estudo, aponta teorias mais abrangentes para maior compreensão dos pressupostos que sustentam um tema, é utilizada em várias áreas para diferenciar um entendimento imediato no sentido horizontal (lato sensu) de um conhecimento especifico e profundo no sentido vertical (stricto sensu). Quando aplicada em cursos acadêmicos de pós-graduação aponta aqueles com maior nível de aprofundamento como Mestrado e Doutorado (Nota do autor).  

[2] Hipnotista é quem induz o transe hipnótico de forma metódica, técnica e sistemática, é teórico e prático na área da hipnose. Hipnotizador é quem casualmente hipnotiza sem possuir conhecimento teórico, às vezes não sabe o significado da hipnose ou até mesmo como provocar seus efeitos. Hipnólogo é o teórico, estudioso do assunto, conhecedor das técnicas hipnóticas, mas nem sempre hábil na prática de hipnotizar. Hipnotizado é quem está sob a ação do hipnotismo e é também chamado de paciente quando a hipnose é produzida para tratamento de saúde (Carreiro, 1997).

REFERENCIAS:

Carreiro, A. A. Antropologia e Espiritualidade: Hipnose e Religião. BA, Ed. JM, 2012.

Carreiro, A. A. Fenômenos Hipnóticos. BA, Ed. UFBA, 1997.

Carreiro, A. A. Hipnose e Psicoterapia: Etiologia e Práxis, SP, Ed. Fiúza, 1999.

Carreiro, A. A. Hipnose e Saúde Psicossomática. BA, Ed. JM. 2014.

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Author: Carreiro
Professor Antonio Carreiro é mestre e doutor em ciências formado pela Universidade Federal da Bahia, estudou Psicanálise e Terapêutica da Hipnose. Em suas constantes viagens pelo mundo especializou-se na hipnoterapia, revelando uma nova maneira de ver a Hipnose, reconhecer, entender e controlar forças inconscientes para operar em melhorias na qualidade da vida humana.

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